Delasnieve Miranda Daspet de Souza recebe nesta sexta-feira Medalha Eny Raimundo Moreira em São Paulo

Foto: Nilson Figueiredo
Foto: Nilson Figueiredo

Eu recebo hoje a Medalha Eny Raimundo Moreira com o coração transbordando, com muita honra e com uma responsabilidade enorme.

Agradeço, de forma profunda, à União Nacional de Advogadas Criminalistas & Acadêmicas de Direito – UNAA, pela indicação e pela escolha do meu nome para esta homenagem.

Agradeço especialmente às Copresidentes Nacionais:

Dra. Alice Bianchini, Dra. Ana Paula Trento, Dra. Florence Rosa, Dra. Lázara Carvalho e Dra. Patrícia Vanzolini.E às Copresidentes Estaduais de Mato Grosso do Sul:

Dra. Allyne Jullyane Romanosque Brito, Dra. Herika Cristina dos Santos Ratto e Dra. Rejane Alves de Arruda.

Obrigada, mulheres. Obrigada por enxergarem em mim.
Receber uma comenda que leva o nome de Eny Raimundo Moreira é um dever.

Eny foi advogada. Atuou nos Direitos Humanos na época mais dura da repressão. Ela não se calou. Ela defendeu quem não tinha voz.

Eny partiu em 2022, mas deixou um legado que continua sendo bússola para todas nós que escolhemos o Direito como instrumento de proteção e de transformação.

Foto: reprodução

E hoje, três anos depois de sua partida em 2022, o nome dela continua sendo a direção pra todas nós que tem o Direito como Ação. Uma mulher e profissional da advocacia que não sete medo de ir até os “porões” do regime para salvar seus “clientes” da tortura e da morte. Ela sempre foi movida e motivada pela indignação. Indignação pela injustiça. Pela crueldade. Pelo descumprimento da Constituição. Pelo abuso de poder. Pelo não compromisso com a vida e com os Direitos Humanos.

Além de advogada de presos políticos, foi criadora do Comitê Brasileiro pela Anistia e autora do livro Brasil: nunca mais.

Eny mais do que mera advogada – destacou-se pela garra, pelo destemor frente as situações que se lhe apresentava. Pequenina – na estatura – foi gigante na coragem. Uma advogada que atuou como profissional das leis e humanista –para ela afeto e afetivo eram complementos de ação.Ficou conhecida como o Anjo da guarda de centenas de presos políticos e defensora intransigente dos direitos humanos.

Eu não sou criminalista. Nunca fui.

Mas a UNAA me escolheu pelas ações desenvolvidas na Advocacia, nos Direitos Humanos e na Promoção dos Direitos das Mulheres.

E é isso que me move: entender que o Direito não é só artigo, processo e tribunal.

O Direito é gente!

É mulher que precisa ser ouvida. É causa social que precisa ser defendida!

É Paz que precisa ser plantada!

Na minha caminhada como Advogada, Poeta, Humanista e Ativista das Causas Sociais e da Paz, eu aprendi que não dá para separar o Direito da vida.

Não dá pra fazer justiça com medo.

Não dá pra defender dignidade sem coragem.

Se para García Márquez Macondo foi o lugar onde ele pôde contar a história do mundo, que a nossa Advocacia seja o Macondo onde nenhuma mulher tenha medo de ser feliz, de ser livre e de ocupar o seu lugar.

Eu dedico esta medalha à memória de Eny Raimundo Moreira.

Dedico a todas as mulheres que vieram antes de mim, que abriram caminho.

E dedico a todas as mulheres que ainda vão chegar, para que encontrem um Direito mais humano, mais justo e mais corajoso.

Que a gente continue. Sem medo de defender. Sem medo de cuidar. Sem medo de ser feliz.

Muito obrigada.

 

Delasnieve Miranda Daspet de Souza – Advogada, Poeta, Humanista, Ativista das Causas Sociais e da Paz. Ambassadeur Universel de la Paix – Genebra – Suíça.

 

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1 thought on “Delasnieve Miranda Daspet de Souza recebe nesta sexta-feira Medalha Eny Raimundo Moreira em São Paulo”

  1. Obrigada a União Nacional de Advogadas Criminalistas e de Acadêmicas de Direito pelo ficarão que ne é concebido

    Delasnieve Daspet
    Advogada e Poeta

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