Funcionários da Santa Casa fazem nova manifestação por atraso nos salários em Campo Grande

Servidores protestam por atrasos recorrentes no pagamento dos salários - Foto: Nilson Figueiredo
Servidores protestam por atrasos recorrentes no pagamento dos salários - Foto: Nilson Figueiredo

Trabalhadores da Santa Casa de Campo Grande realizam uma nova manifestação nesta sexta-feira (7) em protesto contra o atraso no pagamento dos salários. A mobilização começou por volta das 6h30 e reúne funcionários em frente à instituição.

O movimento ocorre depois de a Santa Casa informar que ainda não há previsão para a liberação dos salários. Em comunicado, a direção financeira do hospital afirmou que os pagamentos não foram feitos porque recursos aguardados dos governos do Estado, Município e União ainda não teriam sido repassados.

Segundo a instituição, a administração mantém contato com os órgãos responsáveis na tentativa de solucionar a situação e liberar os valores aos trabalhadores.

O atraso acontece em meio à crise financeira enfrentada pela Santa Casa. Na semana passada, a instituição informou ter um déficit mensal superior a R$ 13 milhões. De acordo com a administração, entre os fatores que contribuíram para o cenário estão a defasagem dos repasses do SUS (Sistema Único de Saúde), o aumento dos custos e recursos que ainda não foram recebidos.

O presidente do SinteSaúde/MS (Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Mato Grosso do Sul), Osmar Gussi, afirma que o movimento ocorre especificamente em razão do atraso salarial.

“Esse movimento aqui é em relação ao atraso de pagamento. Porque é assim, o trabalhador trabalha 30 dias e no quinto dia útil, ele tem o direito de receber o seu salário. Conversando com a Santa Casa, ontem foi o quinto dia útil, hoje está em atraso”, afirmou.

Segundo Gussi, a entidade foi informada de que a Santa Casa aguarda recursos públicos que deveriam ser repassados pela Prefeitura, pelo Governo do Estado e pelo Fundo Nacional.

“Isso não chegou. E nós estamos em atraso, estamos aqui reivindicando o salário. Chegando o dinheiro, quitando a folha de pagamento, cada um receber o que é de direito, voltamos ao trabalho sem nenhum problema”, disse.

O presidente do sindicato afirma que cerca de 3,8 mil trabalhadores estão com os salários atrasados.

“Todos os trabalhadores estão com salário atrasado, aqui, em torno de 3.800 trabalhadores. Ninguém recebeu salário. E hoje nós estamos aqui para que esse dinheiro venha. Se não vir, vamos ficar aqui até que ele chegue”, declarou.

Ainda conforme Gussi, os atrasos são motivo de mobilização da categoria há meses.

“Faz oito meses que nós estamos nessa luta, que tem essa insatisfação, porque na verdade esse movimento é uma demonstração da insatisfação desses trabalhadores, porque nós cumprimos com o nosso papel, trabalhamos 30 dias, fizemos todas as ações que cabem a cada função e não temos pagamento, que é um direito líquido e certo.”

Enfermagem reclama de atrasos recorrentes

A diretora do Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul), Maria Neuza Eduardo de Santana, também participou da manifestação e afirmou que a categoria está cansada de enfrentar a mesma situação todos os meses.

“Essa mobilização é em relação ao atraso salarial. Está sendo recorrente, então a categoria da enfermagem está extremamente cansada. É uma falta de respeito, onde os funcionários trabalham durante 30 dias para chegar no quinto dia útil e receber seu salário”, afirmou.

Para a sindicalista, o fato de a instituição comunicar o atraso somente após o vencimento também gera insatisfação entre os trabalhadores.

“A Santa Casa espera o quinto dia útil para emitir um comunicado informando sobre os atrasos. Então isso se torna uma falta de respeito, e a categoria da enfermagem está cansada em relação a esses atrasos recorrentes. É cansativo. A categoria está cansada!”, disse.

Maria Neuza estima que mais de 3 mil funcionários estejam envolvidos na mobilização.

“Todo mês, todo quinto dia útil, precisa se mobilizar para poder receber o seu salário que é de direito. Aqui é uma pausa única, são mais de 3 mil funcionários da Santa Casa, então todos aqui estão reivindicando pelo atraso salarial.”

A técnica de enfermagem Jaqueline Cárceres Jacques, que trabalha há sete anos na Santa Casa, afirma que os atrasos fazem parte de uma situação que se repete ao longo dos anos.

“A gente está aqui na paralisação do mês de agosto agora, que foi o atraso do pagamento e, decorrente disso, a gente está aqui paralisado porque isso já acontece há um tempo. Eu já estou aqui há sete anos. E toda vez tem anos que tem essa paralisação, e é bem recorrente”, contou.

Segundo ela, a instabilidade no pagamento dificulta o planejamento financeiro dos funcionários, principalmente daqueles que têm filhos e outras despesas fixas.

“A gente tem filho, tem conta para pagar, tem aluguel e sempre tem que ficar dependendo de greve para pagar nosso valor. A gente fica chateado com essa situação e fica também sem poder fazer compromisso com alguma coisa, porque a gente não pode contar com o dinheiro daqui, porque atrasa, ou paga errado, ou não paga no dia certo”, relatou.

Jaqueline afirma ainda que muitos profissionais precisam manter mais de um emprego para conseguir lidar com os atrasos.

“Meus colegas também reclamam, porque a maioria tem filho, aí tem que pagar a escola, tem que pagar aluguel, e não tem o dinheiro no dia certo. Aí ficam as cobranças, e é difícil. A gente tem que se virar para poder arrumar dinheiro de outro lugar”, disse.

“Hoje, a maioria dos técnicos que trabalha aqui tem dois empregos. Tem que ter dois empregos para conseguir, porque, se for depender só da Santa Casa, desse salário daqui, a gente fica sem salário. Se a gente tiver outro, a gente conta com outro, porque o outro paga certo”, completou.

A reportagem não conseguiu contato com representantes da Santa Casa para obter um posicionamento específico sobre a manifestação e os questionamentos apresentados pelos trabalhadores.

 

Com informações da repórter Sandra Salvatierre

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