Segunda fase da Operação Auditus investiga esquema com exames e consultas médicas simulados em Nioaque
O médico legista Robson Roosevelt Ferreira Aguilar, lotado em Jardim, foi afastado das funções na Polícia Científica de Mato Grosso do Sul após ser preso nesta quinta-feira (13), durante a segunda fase da Operação Auditus, deflagrada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Segundo a instituição, a prisão não tem relação com as atividades desenvolvidas pelo médico na Polícia Científica.
A Corregedoria da Polícia Civil instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar os fatos relacionados ao servidor e acompanha o andamento das medidas adotadas pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), responsável pela investigação.
Em nota, a Polícia Científica afirmou que não compactua com desvios de conduta ou irregularidades e que eventuais atos individuais que contrariem a legislação e os deveres funcionais serão apurados. A instituição também informou que está à disposição dos órgãos de controle e investigação.
A prisão do médico ocorreu no âmbito da segunda fase da Operação Auditus, que investiga um suposto esquema de fraudes em contratações de serviços médicos pela Prefeitura de Nioaque.
Operação investiga fraude em serviços médicos
Deflagrada pelo Gecoc, pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) e pela 1ª Promotoria de Justiça de Nioaque, a operação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão em Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna.
A investigação começou a partir de suspeitas de fraudes em licitações realizadas pela Prefeitura de Nioaque para a contratação de empresas responsáveis por consultas, exames e procedimentos médicos.
Após a análise de materiais apreendidos na primeira fase da operação, realizada em julho de 2025, e de novas diligências, o MPMS afirma ter identificado um esquema estruturado envolvendo direcionamento de contratações, pagamento por serviços que não teriam sido realizados e desvio de recursos públicos.
Segundo a investigação, agentes públicos e privados teriam participado do esquema, com uso de documentos falsificados e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
Entre 2022 e 2025, o gasto do município com os serviços médicos investigados teria aumentado 1.713%. O MPMS aponta ainda que 83% dos exames e consultas pagos pela Prefeitura de Nioaque teriam sido simulados pelo grupo.
O prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 4 milhões.
Esquema teria começado com exames auditivos
O nome da operação faz referência à palavra latina “Auditus”, que significa “audição”. Segundo o MPMS, as primeiras suspeitas envolviam a simulação de exames auditivos para justificar o pagamento de serviços que não teriam sido realizados.
Com o avanço das investigações, porém, o suposto esquema teria sido ampliado para outros tipos de exames, consultas e procedimentos médicos, com os valores sendo desviados por meio de fraudes e falsificação de documentos.
O MPMS também afirma que há indícios de que o grupo investigado buscava expandir o esquema para outros municípios de Mato Grosso do Sul.
As investigações continuam para esclarecer a participação de cada envolvido e identificar a extensão do suposto desvio de recursos públicos.
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