MS registra 21 feminicídios em 2026 e alerta cresce durante Agosto Lilás

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Estado também contabiliza mais de 12 mil vítimas de violência doméstica neste ano

 

Mato Grosso do Sul chegou a 21 feminicídios registrados em 2026, em um cenário que reforça o alerta sobre a violência contra a mulher durante o Agosto Lilás. O levantamento considera casos registrados até o dia 6 de agosto e inclui o assassinato de Nathália Rodrigues Nogueira, de 26 anos, em Rio Verde de Mato Grosso.

O número chama atenção especialmente porque agosto é dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher. Em menos de uma semana, três feminicídios foram registrados no Estado: além de Nathália, Rose Batista Cabreira, de 41 anos, foi morta em Dourados, e Adriana Barrios, de 22 anos, foi assassinada em Paranhos.

Os dados também mostram que a violência contra as mulheres vai além dos casos que terminam em morte. Segundo informações do monitoramento da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Mato Grosso do Sul já contabilizava mais de 12 mil vítimas de violência doméstica em 2026 até o início de agosto.

Violência dentro de relacionamentos

O histórico dos casos reforça que a violência muitas vezes acontece dentro de relações afetivas. Companheiros, cônjuges e conviventes aparecem entre os principais autores das agressões registradas no Estado.

A jornalista Aline Oliveira, amiga por 15 anos de Vanessa Ricarte, assassinada pelo namorado em Campo Grande em fevereiro de 2025, faz um alerta para mulheres que percebem mudanças de comportamento ou atitudes que causam desconforto dentro do relacionamento.

“Para as mulheres que estão em relacionamento afetivo e se sentirem incomodadas com comportamentos estranhos do parceiro, eu digo: por favor, não deixa pra lá”, afirma.

Vanessa foi morta com três golpes de faca na casa onde morava, no bairro São Francisco. No mesmo dia, ela havia procurado a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para denunciar o ex-companheiro e pedir uma medida protetiva.

Aline conta que chegou a se sentir culpada por não ter percebido o risco enfrentado pela amiga, mas posteriormente compreendeu que esse tipo de violência pode envolver estratégias de isolamento da vítima.

Medidas protetivas

O monitoramento da violência contra a mulher também mostra o crescimento da procura por medidas protetivas de urgência em Mato Grosso do Sul. Em 2025, foram registradas 18.187 solicitações, enquanto em 2026 já são mais de 11 mil pedidos até o início de agosto.

A medida protetiva é um dos principais instrumentos previstos pela Lei Maria da Penha para interromper situações de violência e estabelecer restrições ao agressor.

Em agosto de 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos. A legislação é considerada um dos principais marcos brasileiros no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres.

Agosto Lilás reforça ações de prevenção

Criado em Mato Grosso do Sul em 2016, o Agosto Lilás tem como objetivo ampliar a conscientização sobre a violência contra a mulher, divulgar a Lei Maria da Penha e aproximar as vítimas dos serviços especializados da rede de proteção.

Durante o mês, estão previstas ações de educação, informação e mobilização social em diferentes regiões do Estado.

Entre as iniciativas está o Ônibus Lilás, que leva orientação, prevenção e acesso a serviços públicos para mulheres que vivem em áreas rurais, assentamentos, comunidades quilombolas, aldeias indígenas e localidades de difícil acesso.

Também estão previstas ações integradas em municípios como Sidrolândia, Paranaíba, Batayporã e São Gabriel do Oeste.

Violência psicológica também é sinal de alerta

Antes de chegar à agressão física, a violência pode aparecer de outras formas. Controle, humilhação, ameaças, manipulação, isolamento de familiares e amigos e tentativa de controlar decisões são exemplos de violência psicológica.

Em Mato Grosso do Sul, uma legislação estadual criou ações específicas para conscientização e enfrentamento da violência psicológica entre mulheres.

O alerta é para que comportamentos abusivos não sejam tratados como situações normais dentro de um relacionamento. A identificação dos sinais e a busca por ajuda podem ser importantes para interromper o ciclo de violência.

Onde procurar ajuda

Mulheres vítimas de violência ou pessoas que tenham conhecimento de uma situação podem buscar a rede de proteção.

Denúncias e informações: Ligue 180
Patrulha Maria da Penha: 153
Casa da Mulher Brasileira – Campo Grande: (67) 2020-1300
Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam): 0800-067-1236
Ministério Público: WhatsApp (67) 9-9825-0096
Defensoria Pública: WhatsApp (67) 9-9247-3968

O Agosto Lilás amplia a mobilização, mas o enfrentamento à violência contra a mulher depende de ações permanentes de prevenção, denúncia, acolhimento e proteção.

 

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