Juliano Wertheimer afirma que mudanças na jornada de trabalho precisam considerar impactos econômicos as empresas
Recém-empossado na presidência da Fecomércio-MS, Juliano Wertheimer inicia sua gestão com uma agenda voltada à interiorização das ações do Sistema Comércio, ao fortalecimento da representação empresarial e à ampliação dos serviços oferecidos ao setor produtivo. Em entrevista exclusiva ao Jornal O Estado MS, o dirigente detalhou os principais objetivos da nova administração e defendeu uma atuação mais próxima dos empresários em todas as regiões de Mato Grosso do Sul. Entre as prioridades anunciadas está a ampliação da presença do Sistema Comércio nos 79 municípios do Estado. Segundo Wertheimer, a proposta vai além da manutenção das estruturas já existentes e busca fortalecer a atuação conjunta Fecomércio-MS (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), do Sesc (Serviço Social do Comércio), do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento. “O objetivo é levar serviços, capacitação e representatividade para todas as regiões do estado. Queremos fortalecer ainda mais a presença do Sistema Comércio no interior e ampliar nossa capacidade de ouvir as demandas locais”, afirmou.
Durante a entrevista, Wertheimer também comentou as discussões nacionais em torno da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1. Embora reconheça que a ideia de trabalhar menos e ganhar mais seja naturalmente bem recebida pela população, o presidente alertou para a necessidade de avaliar os impactos econômicos de eventuais mudanças nas regras atuais.
Segundo ele, uma das preocupações do setor produtivo é que reduções de jornada sem ganhos de produtividade possam elevar custos operacionais das empresas e pressionar os preços de produtos e serviços. “O debate precisa considerar os efeitos econômicos e sociais. É importante encontrar modelos que conciliem qualidade de vida para os trabalhadores com sustentabilidade para as empresas”.
Como alternativa ao debate sobre as escalas tradicionais de trabalho, Wertheimer defende a chamada “PEC da Liberdade”, proposta que amplia as possibilidades de negociação entre empregadores e trabalhadores. A iniciativa prevê modalidades mais flexíveis de contratação, incluindo a remuneração por hora trabalhada, mantendo direitos como férias, décimo terceiro salário e demais garantias previstas na legislação.
Na avaliação do presidente da Fecomércio-MS, a proposta pode atender diferentes perfis de trabalhadores e empresas, especialmente em setores que registram variações sazonais de demanda, como comércio, turismo, alimentação e serviços.
“Um profissional poderá escolher jornadas mais compatíveis com sua realidade, enquanto as empresas terão condições de ajustar suas contratações às necessidades específicas de operação”, explicou. Wertheimer afirmou ainda que a proposta já conta com o apoio dos senadores Nelsinho Trad e Tereza Cristina e que há diálogo em andamento com a senadora Soraya Thronicke. Para ele, a PEC não substitui a discussão sobre o modelo atual de jornada, mas representa uma alternativa complementar para ampliar a flexibilidade nas relações de trabalho.
O presidente da Fecomércio destacou ainda o potencial turístico de cidades do interior, como Naviraí e Corumbá, e anunciou que a entidade pretende atuar em parceria com o poder público, instituições financeiras e empresários para estimular investimentos regionais. Entre as ações estudadas estão a qualificação de trabalhadores do turismo, o apoio a pequenos empreendedores do Pantanal e a ampliação do acesso a microcrédito para profissionais da atividade turística. “Nós estaremos nas cidades, ouvindo as pessoas, entendendo o potencial de cada região e fazendo a ponte com o governo, os bancos e investidores interessados em desenvolver Mato Grosso do Sul.”
Por Polyana Vera